Sei que assunto é velho e muito já foi discutido sobre ele, contudo fico tenso e ao mesmo tempo curioso ao ver que mesmo ante as revoltas, indignações, atos secretos, nepotismo, bate-boca, engavetamentos de processos no Conselho de Ética, a sociedade brasileira permanece calada, como se estivesse cheia dessa picuinha e quisesse mesmo é tomar a sua cerveja no final de semana, formar uma roda de samba e cantar as mazelas. Brasileiro não quer pensar, não quer sentir na carne a navalha do esquecimento rasgar o seu peito. O brasileiro não quer enxergar a realidade podre, de canalhas cristalizados nas cadeiras do planalto daquele que deveria ser um dos órgãos mais importantes de nossa fatigada e doente democracia. Estamos vivendo nos tempos em que é melhor virar as costas, sermos passivos, ou omissos, assintindo a tudo bestializados como sempre, a não reivindicar mais nada, simplesmente aceitar, e dormir cansados depois de um dia intenso de trabalho. Não, o brasileiro não quer pensar, ele não quer dormir pensando nos milhares de analfabetos e miseráveis que são frutos do resultado desta política corrupta e que se mostra a cada dia muito pouco interessada em seus deveres públicos, dormir com mais um problema entre tantos? Não dá. O que nos resta a fazer, então, é tapar nossos olhos e engolir e digerir o trabalho escravo nas carvoarias do Pará, ou os olhos pustulentos dos meninos no interior do Maranhão, vamos esquecer as constantes enchentes em vários estados do Brasil, vamos continuar pagando a maior e mais absurda quantidade de impostos existentes e termos como resultado um sistema de saúde, educação e de segurança precários, não vamos nos opôr ao salário mínimo o qual não atende sequer um requisito do artigo quinto da constituição federal. Não, não vou me incomodar, vou continuar assistindo indignado a velha retórica barata e calhorda dos políticos cretinos que envergonham nossas tradições e nosso país. Nós temos uma identidade cultura, uma literatura própria, uma língua (ou vocês acham que ela ainda é portuguesa?), somos um país imenso em riquezas e coisas positivas, então porque deixamos essas pessoas nos mastigarem pelo umbigo? Será que gostamos desse sofrimento incessante que todos os dias nos trazem os jornais sobre o irmão que assassinou o outro por motivos frívolos, ou do adolescente de treze anos que matou o amigo na escola por um jogo de futebol? Será que somos sádicos ou impotentes e, principalmente, frios ao ver milhares de pessoas sem nenhuma perspectiva vendendo bombons nos coletivos sem qualquer tipo de serviço assistencial, sem saber ler, escrever, sem nada, inclusive para interpretar o belo vocabulário do nosso ex-presidente que nos presenteia com belas afirmativas totalmente vazias de significado. Vejo nesse homem o retrato do pai dele, um homem que matou um inocente dentro do senado federal, um suplente, sem querer, logicamente. Temos o país nas mãos de um punhado de famílias psicopatológicas que somente prezam pelos seus particulares fazendo com que a fome, a miséria e a falta de oportunidades cheguem ao extremo, tão ao extremo que já ouço gente com saudade dos tempos dos militares, das marchas e das botas, do silêncio e do sofrimento e tortura dos porões, há gente com saudade disso, pode? Bem, o certo é que não iria mudar nada, ficaríamos até piores, mas confesso que essa é uma outra ditadura, disfarçada, de inimigos ocultos e que nos ferem nos campos mais sutis, não é à toa que Platão dizia em sua República que a democracia era a segunda pior forma de governo, hoje eu até contesto o que há de mais firme no mundo, os princípios democráticos, isso porque estamos nas mãos de velhacos parlapatões, para utilizar uma das belas palavras de Collor, e seguimos com nossas opiniões sonhos e anseios sendo digeridos, engolidos pelos monstros sedentos do Poder. E nós, estamos esperando quem? Os grandes heróis dos tempos da ditadura? Acho que a maioria ou está caduca ou já desencanou. Mas nós não, somos jovens, carregamos o emblema da esperança, e necessitamos urgentemente de algo novo, renovado. Chega dessa passividade, dessa lentidão mental, dessas conversas e teorias que não mudam nada e só problematizam o mundo. Chega! É hora de mudança, vamos mudar esse país, no dia 7 de setembro iremos para as ruas, agitaremos nossas bandeiras bem alto, nosso coração e o seu baterão novamente por alguma coisa, por uma ideia. Então, amigos, não sejamos covardes, vamos em direção a um novo país, um país em que reluz a Esperança e a Fraternidade, que não coadunemos mais com a covardia e o totalitarismo, avante jovens, sigamos em frente que o sol já despontou no horizonte, um novo país se aproxima…
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
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